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Registro mostra formação rara de ‘supercélula’, que indicava chegada de tempestade


Momentos antes da tempestade que causou prejuízos e deixou isolados moradores de comunidades quilombolas de Corguinho, a 96 km de Campo Grande, uma formação chamada de supercélula, que é considerada rara.


A meteorologista Franciane Rodrigues, do Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), explica que esse tipo de formação é incomum na região. “É uma nuvem de formação rara na região do centro-oeste e considerada de tamanho pequeno, se comparada as outras ocorrências no Brasil como em Torres/RS, Terra Rica/PR , Joaçaba/SC. Houve registro raro também dessa célula em Valença do Piauí/PI, região também incomum para este tipo de formação de nuvem”, explica.


Conforme o anuário de classificação de nuvens, da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil), a supercélula “é um tipo de tempestade caracterizada pela presença de uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem”.


A agência destaca, ainda, a intensidade que este tipo de fenômeno representa. “Das quatro classificações de tempestade (Supercélula, multicélula, unicélula e linha de instabilidade), as supercélulas são geralmente as menos comuns, entretanto são também as mais severas“.


Por fim, a Anac conclui que as “Supercélulas podem produzir fortes ventos, chuva intensa com granizo, tornados mortais, enchentes e descargas elétricas”.


A tempestade rápida e intensa elevou o nível dos córregos que passam pela região das comunidades quilombolas de Corguinho, destruindo pontes, invadindo casas e deixando algumas famílias isoladas na terça-feira (16).


Na quarta-feira (17), a reportagem do Jornal Midiamax foi ao local e conseguiu chegar até certo ponto, devido às condições da estrada vicinal que liga as comunidades.


No caminho, já é possível perceber todo o caos que a tempestade causou. De longe, já é possível observar no morro as faixas de barro, que correm até as propriedades, demonstrando que houveram deslizamentos de terra pela região. Na estrada, são diversos pontos de atolamento e, ao lado do trajeto, já é possível perceber que a vegetação estava deitada, demonstrando que a água também passou por ali.


Conforme a prefeita, Marcela Lopes (PSDB), os prejuízos passaram de R$ 1 milhão e o jurídico do município estava providenciando um decreto de situação de emergência. Foram seis pontes destruídas e estradas danificadas.


Há 39 anos que vivo aqui e nunca vi uma situação assim, que desespero. Não houve perda humana, mas os danos são muito grandes”, lamentou a prefeita de Corguinho, Marcela Lopes. Até a manhã desta quinta (18), o decreto de situação de emergência ainda não havia sido publicado em Diário Oficial.

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