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Para conservar bioma, formação de corredor biológico vira opção em MS


Tentando encontrar maneiras de salvar o bioma sul-mato-grossense, ambientalistas e empresários planejam avançar na ideia de construir um corredor biológico privado com a ajuda de produtores rurais, que serviria para conservação e exploração sustentável do bioma do estado.


Segundo a Folha de São Paulo, o primeiro passo foi dado após a compra da fazenda Santa Sofia, em Aquidauana, que tem um espaço avaliado em 34 mil hectares.


O presidente da Associação Onfaçari, Mário Haberfeld, um dos idealizadores do projeto, apontou que o debate para uma produção consciente está sendo levantado em uma espécie de conselho do grupo, que ainda precisa ser oficializado e ganhará o nome de 4P (Pantanal, Preservação, Pecuária e Produtividade).


"Não é preservação xiita, que ninguém pode mexer em nada, é aliada à produção consciente", declarou em entrevista para o jornal paulista. A associação onde é responsável tem o foco no cuidado das onças-pintadas e lobos-guarás.


O projeto ganhou vida ainda em agosto do ano passado, mas ganhou corpo com a compra da fazenda em Aquidauana, no mês de outubro, levantando recursos captados por oito pessoas físicas, mas que tiveram sua identidade preservada, de acordo com a Folha. A Onçafari ganhou três cotas para administrar.


O futuro corredor biológico, se sair do papel, já conta com os 34 mil hectares da fazenda Santa Sofia e ganhou um espaço ainda maior com a vinda dos 53 mil hectares do Refúgio Caiman, em Miranda, de Roberto Klabin, além de outros 33 mil hectares da Fazendinha, de Teresa Bracher, também em Aquidauana.


A ideia do corredor biológico é que os produtores vizinhos, integrantes do projeto, lancem em suas áreas particulares, ações como turismo, fomento à pesquisa, aluguel de pastagens nativas para pecuária extensiva e venda de créditos de carbono, diversificando culturas além das tradicionais, como criação de gado e produção agrícola.


O desafio proposto no projeto é chegar à meta de 600 mil hectares neste ano. O corredor biológico conta com cerca de 327 mil hectares, mas nem todos estão conectados. A intenção é fechar o corredor e formar uma unidade de conservação.


Um dos fundadores do SOS Pantanal, o empresário Roberto Klabin é proprietário do Refúgio Caiman. Para ele, a formação do corredor irá possibilitar ao produtor rural diversidade econômica e fortalecer o ideal de preservação.

Na minha visão, tem que dar segundo passo, olhar o Pantanal e a vocação dele de turismo de fauna selvagem; é preciso repensar maneiras de conservar o Pantanal, mostrar que essas propriedades podem desenvolver projetos multifunção”, afirmou Klabin.

O local, de 53 mil hectares, reúne pecuária extensiva de corte, ecoturismo e a pesquisa — essa em parceria com a Onçafari, de conservação da onça-pintada, e com Instituto Arara Azul, de monitoramento dos ninhos das aves.

O secretário-adjunto da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura), Ricardo Senna, admite que esse é um processo moroso, por ser comum que a área tenha diversos proprietários, ou seja, parte de inventário. Mas acredita que a iniciativa irá somar ao projeto público.

"Aumentar esse corredor é importante para a conservação e manutenção da biodiversidade", esclareceu Senna à Folha de São Paulo.



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