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Estudantes do Estado optam por vestibulares e deixam Enem de lado


Nos últimos anos, os estudantes de Mato Grosso do Sul estão optando por ingressar em universidade pública federal do Estado por meio dos vestibulares em vez de pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A mudança está ligada a diversos fatores, como número de vagas disponíveis,


método de aplicação da prova e concorrência.

Segundo informado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), instituição que oferece o maior número de vagas no Estado, o vestibular 2022 e as três etapas do Programa de Avaliação Seriada Seletiva (Passe) bateram recorde de inscrições, somando 25.068 candidatos.

Um aumento de 135% em comparação a 2018 e de 5% em relação ao processo de 2021.

Em contrapartida, o Enem teve o menor número de inscritos no Estado desde 2007, com apenas 38,3 mil candidatos. Desse total, 16.204 eram de Campo Grande.

Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), braço do Ministério da Educação (MEC), o índice de abstenção em Mato Grosso do Sul foi de 30,8%, o sétimo maior número de abstenções no País.


A coordenadora pedagógica do Ensino Médio do Elite Rede de Ensino, Rosangela Madruga dos Santos Colaço, explica que o número de inscritos nos vestibulares do Estado deve aumentar ainda mais nos próximos anos.

Eu vejo o seguinte, o Enem tem uma competitividade em nível nacional, já as provas regionais, o aluno muitas das vezes compete apenas com as pessoas do Estado."

"Claro, tem gente que vem de fora, mas nada comparado ao Enem. Além disso, os vestibulares oferecem um número maior de vagas, com isso, o aluno prefere focar nas provas daqui para ter mais chances”, explica Colaço.

Do total de vagas ofertadas pela UFMS todos os anos, 60% são destinadas ao ingresso pelo vestibular, 20% ao Passe e 20% ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que retira nota do Enem.

Ou seja, o estudante que opta por fazer a prova da instituição compete por 80% das vagas disponíveis.

Em 2022, os estudantes disputam por 5.525 vagas, sendo 3.347 para o vestibular e 1.089 para o Passe, distribuídas entre todos os 114 cursos da Cidade Universitária e dos campi de Aquidauana, Chapadão do Sul, Coxim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã, Três Lagoas e Pantanal.


Rosangela Madruga afirma que o baixo número de inscritos no Enem em 2021 em MS está ligado também a como a prova é aplicada.

É uma prova de dois dias, com 180 questões e uma redação. A estrutura da avaliação é muito interpretativa, enquanto os alunos estão em uma fase de conteúdos, isso mexe com o estudante e faz ele repensar em fazer o exame”, diz Rosangela.

Já em relação ao sistema de avaliação dos vestibulares, a professora de Matemática conta que os estudantes têm a vantagem de os docentes dominarem o modelo das provas aplicadas pelas instituições de ensino, sendo preparados o ano todo.

Os professores do Estado conhecem as provas, sabemos como prepará-los para o vestibular da UFMS, assim como da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul [UEMS], que tem o mesmo perfil, e da Universidade Federal da Grande Dourados [UFGD], e isso dá mais segurança para eles optarem pelo vestibular”, esclarece.

A estudante Bruna Vieira, de 17 anos, foi uma das estudantes que optou em não fazer o Enem e focar nas provas das universidades.

Optei por não fazer o Enem, pois é muita pressão, não tinha estudado o tipo de prova que eles aplicam e sabia que não tinha chance de conseguir uma nota boa."

"E no vestibular a chance já era um pouco maior, então, fiz três vestibulares”, relata.

Mas há quem encare as duas formas de avaliação, que é o caso de Acza Vitória Araújo Nantes, estudante de 17 anos que fez o vestibular da UFMS e o Enem.


Este ano eu fiz o vestibular da UFMS, além do Enem. Mas eu acredito que os vestibulares dão, sim, mais chances de garantir uma vaga na faculdade, porque, querendo ou não, são menos pessoas competindo por uma vaga”, explica.


Ainda de acordo com Acza, por mais que o vestibular seja menos competitivo, a preparação para a prova deve ser mais intensa.


A pessoa tem que estudar ainda mais para os vestibulares, por ser uma prova mais conteudista do que o Enem”, afirma.


Como as inscrições para os processos seletivos da UEMS e da UFGD estão em aberto, as universidades não souberam informar a quantidade de inscritos para o processo seletivo que dará ingresso para o ano letivo de 2022.

As instituições informaram apenas os dados dos anos anteriores.

Segundo a UEMS, após 10 anos sem aplicar provas, a universidade retornou com o vestibular em 2021, quando recebeu mais de 11 mil inscrições, e para 2022 as inscrições vão até o dia 20.

A prova será realizada no dia 8 de janeiro de 2022, das 14h às 19h, e poderá ser feita em 17 municípios de MS.

Já as inscrições para o vestibular da UFGD se encerram em 14 de janeiro. A prova será realizada no dia 20 de março, das 13h às 18h30min.

Diferentemente da UFMS, a universidade não apresenta o mesmo crescimento na procura dos estudantes pelo vestibular.

Em 2019, a instituição registrou 9.434 inscritos, em 2020, 9.015, e em 2021, 8.155. Segundo o coordenador do Centro de Seleção da UFGD, Nelson Tsuji Júnior, os números são resultado do sistema de ensino.

Podemos atribuir a diminuição do número de inscritos no vestibular ao contexto do sistema de ensino."

"A Secretaria de Estado de Educação [SED] desde 2019 já vem registrando diminuição de matrículas em escolas da Rede Estadual de Ensino [REE]."

"Havendo menos estudantes no Ensino Médio, naturalmente o público do vestibular vai sofrer diminuição."

"Inclusive, na cidade de Dourados algumas escolas foram fechadas e outras tiveram turnos reduzidos a partir da reestruturação da oferta do Ensino Médio, motivada pela diminuição dos estudantes”, diz.


Correio do Estado.

Foto: Thayná Oliveira.


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