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Dose da vacina contra a Covid-19 poderá custar R$ 22


A farmacêutica multinacional AstraZeneca investirá US$ 127 milhões na produção das 30 milhões de doses da vacina contra Covid-19 para o Brasil. A empresa prometeu comercializar o produto, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Oxford, a preço de custo durante a pandemia.


Dessa forma, considerando apenas o aporte inicial, chega-se ao valor aproximado de R$ 22 por dose.


Embora o cálculo feito não seja oficial, é possível ter uma noção dos valores.


Além disso, convém lembrar que o governo federal também injetará dinheiro na produção, em torno de R$ 1,5 bilhão, segundo informações divulgadas pela imprensa nacional.


O fato é que tanto a empresa quanto o poder público estão fazendo investimentos arriscados, já que a imunização ainda está em fase de testes.


Jorge Mazzei, diretor-executivo de Relações Corporativas, Regulatório e Acesso ao Mercado da AstraZeneca, chama a aquisição de “investimento na ciência”.


Em entrevista, ele afirma que a companhia firmou acordos com parceiros estratégicos em todo o mundo e tem capacidade para produzir dois bilhões de doses.


No Brasil, houve acordo com o governo federal para fornecimento do ingrediente farmacêutico ativo e transferência de tecnologia para produção local da potencial vacina.


A entrega de metade do volume brasileiro está prevista para dezembro de 2020.


A outra metade, em janeiro de 2021, com a expectativa da aquisição de mais 70 milhões de ingredientes farmacêuticos ativos para a produção de doses em um segundo momento, dependendo dos resultados positivos da pesquisa clínica”, disse Jorge Mazzei a equipe de reportagem.


O diretor-executivo diz que a empresa vem trabalhando em acordos globais para ampliar a capacidade de produção da vacina e já fechou acordos de fornecimento com países como Reino Unido e EUA, instituições como a Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) e a Aliança Global para Vacinas e Imunizantes (GAVI), com 700 milhões de doses, além de acordo com a Aliança de Vacinas para Europa Inclusiva (IVA), com o compromisso de mais 400 milhões de doses para Alemanha, França, Holanda e Itália.


Há um acordo com o Serum Institute of India para o fornecimento de mais um bilhão de doses, principalmente para países de baixa e média renda.


Globalmente, já estamos iniciando a produção, pois reconhecemos a necessidade de uma resposta rápida para este problema global. Por isso, estamos acelerando nossos planos de produção e distribuição da vacina”, acrescenta.


Questionado se a escolha do Brasil para a etapa final de testes tem relação com um possível interesse da AstraZeneca no mercado local, já que o País tem um dos melhores programas de imunização no mundo, Mazzei disse que a companhia não está pensando nessa questão de vendas e mercado no momento, o foco é garantir um produto que funcione.


A situação epidemiológica foi o que pesou na hora de firmar a parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para a condução do estudo.


Considerando que o Brasil ainda não está na fase descendente da curva de contágio, o País apresenta um cenário adequado para o desenvolvimento da pesquisa clínica”, afirma.


Segundo ele, a substância, que até agora recebeu nome de AZD1222, é uma das mais promissoras em todo o mundo.


Existem concorrentes, como a vacina da Pfizer, que está na fase dois e deve demorar para receber aval definitivo. Universidades brasileiras também estão tentando desenvolver imunizações.


Uma das mais avançadas é a da Universidade de São Paulo, que entrou recentemente na segunda fase.


Enquanto isso, cientistas da Unifesp continuam selecionando voluntários para começarem os testes. A previsão é a de que as aplicações comecem a ser feitas até o fim deste mês.


Na semana passada, os primeiros 20 recrutados fizeram testes rápidos de Covid-19, já que somente quem ainda não pegou a doença pode participar.


Serão recrutados dois mil voluntários no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os candidatos devem ter o seguinte perfil:


Homens e mulheres entre 18 anos e 55 anos que trabalhem na linha de frente do combate ao novo coronavírus ou que sejam funcionários dos hospitais que atendam pacientes contaminados por isso, estejam expostos à doença, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, técnicos em radiologia, fonoaudiólogos, pessoal de limpeza, porteiros, seguranças e motoristas de ambulância.

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