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Combustíveis continuarão pesando na inflação em 2022


Os combustíveis foram considerados os “vilões” da inflação em 2021. Conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado, o etanol aumentou 62,39% em Campo Grande, o diesel, 45,53%, e a gasolina, 41,74%. Segundo economistas, a tendência é de que os combustíveis continuem influenciando a inflação neste ano. Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, com a movimentação atual do mercado internacional, a projeção é de que os combustíveis continuem puxando os índices para cima. “É provável que os combustíveis e os preços administrados vão manter a inflação nos mesmos patamares de 2021. Com certeza, como a Petrobras segue o sistema internacional, os preços vão continuar subindo ou descendo com a variação do preço do barril, além do valor do dólar”, analisa. O doutor em Economia e professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Mateus Abrita endossa que as estimativas apontam para uma continuidade dos reajustes. “A estatal tem essa política de preços alinhada ao mercado internacional, então, se o petróleo no mercado internacional sobe ou o dólar [frente ao real], os combustíveis sobem aqui no Brasil. Vai depender também da taxa de juros dos Estados Unidos, se eles subirem muito as taxas de juros, pode acontecer uma saída de capitais [retirada de estímulos] de mercados emergentes, como o Brasil, e eles vão preferir focar nos EUA e o dólar pode subir ainda mais”, avalia. No mesmo dia em que os dados da inflação oficial foram divulgados, a Petrobras anunciou um novo reajuste nos combustíveis fósseis. A partir de hoje, o valor médio da gasolina vendida para as distribuidoras passará de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro, um reajuste de 4,85%. Já para o diesel, de R$ 3,34 para R$ 3,61 por litro, alta de 8%. Conforme analistas de mercado, o aumento pode chegar a R$ 0,11 por litro nas bombas. “Esses ajustes são importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, afirma a empresa em comunicado. O economista Marcio Coutinho acredita que a elevação dos preços na estatal reflete automaticamente em alta do índice. “O combustível é uma fonte de energia muito utilizada no nosso País, queira ou não queira, vai ter um impacto na inflação. Mas a inflação não é a variação de um único produto, e sim de um conjunto de produtos e serviços. Entre eles os combustíveis, que obviamente a Petrobras subindo o preço vai impactar positivamente no cálculo da inflação”. A economista Daniela Dias ainda aponta que os combustíveis em alta elevam os preços de toda a cadeia produtiva. “A inflação do combustível influencia desde a produção até o consumidor final, porque ele é essencial para a utilização de máquinas na indústria, transporte de alimentos, etc”. Nas bombas, o consumidor sente o reflexo do aumento de 34,88% na gasolina em um ano. Conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em janeiro de 2021, o litro do combustível fóssil era comercializado pelo preço médio de R$ 4,58 na Capital, enquanto neste mês está cotado a R$ 6,38. Para encher um tanque de combustível com capacidade para 50 litros de gasolina, há um ano, o campo-grandense desembolsava R$ 229, neste mês, são necessários R$ 319 para comprar a mesma quantidade de combustível. Já o oléo diesel saiu de R$ 3,71 em janeiro de 2021 para R$ 5,22 até ontem – alta de 40,70% nos postos de combustíveis da Capital. A diferença sofre influência tanto do barril de petróleo tipo Brent, usado como referência pela Petrobras, quanto pela cotação do dólar, que também variou no período, já que na conversão o valor em reais fica muito maior. Em janeiro do ano passado, o dólar era cotado a R$ 5,16, enquanto nesta terça-feira foi a R$ 5,57. O barril de petróleo era comercializado a US$ 54,84 no ano passado (R$ 282,97 com o dólar a R$ 5,16); ontem o barril era cotado a US$ 83,54 (R$ 466,15 com o dólar cotado a R$ 5,57). O preço de paridade de importação (PPI) reflete os custos totais para internalizar um produto. É uma referência calculada com base no preço de aquisição do combustível. O litro do etanol aumentou 52,81% nas bombas de combustíveis de Campo Grande, saindo de R$ 3,37 para R$ 5,15. No caso do biocombustível, o clima derrubou a safra de cana-de-açúcar no País, impactando os preços do álcool. Para reduzir os preços de combustíveis, a economista Daniela Dias aponta que é necessário recuperar a credibilidade brasileira “quanto às tomadas de decisões sobre a pandemia, quanto à política e ao resgate da confiança dos empresários e consumidores. Esses fatores são essenciais para uma reação do real frente ao dólar. Enquanto tivermos um patamar elevado como hoje, teremos impactos significativos sobre os combustíveis”. A inflação de Campo Grande fechou 2021 em 10,92%, enquanto a média nacional foi de 10,06%. O índice registrado na Capital é o maior da série histórica, que começou em 2014. Desde que começou a ser aferido, o IPCA local nunca havia fechado em dois dígitos. Na prática, segundo Marcio Coutinho, isso significa que “o impacto no custo de vida das pessoas é maior em Campo Grande do que na média nacional”. A cidade tem a quinta maior inflação do País, ficando atrás apenas de Curitiba, Vitória, Salvador e Porto Alegre. De acordo com a economista Adriana Mascarenhas, transportes e energia elétrica têm grande participação nesse resultado. “Basicamente tudo que consumimos é influenciado por esses dois grupos [transporte e energia elétrica]. Se o combustível encarece, o frete, o alimento e os produtos que compramos aumentam de custo. O mesmo acontece com a energia elétrica, que é utilizada na produção desses bens e no dia a dia”, explica. O mês de dezembro de 2021 fechou com inflação de 0,43% na Capital, abaixo do 0,73% observado na medição nacional. Já em novembro, Campo Grande fechou com a maior alta ente as capitais pesquisadas, 1,47%, e o País teve aumento de 0,97%. Segundo a economista Adriana Mascarenhas, a variação mensal pode ser explicada pelo reajuste dos preços ter sido feito anteriormente. “Se pegarmos combustível, gás de cozinha e energia elétrica, não consigo me lembrar de aumentos para esses itens em dezembro, mas, se olharmos para o ano todo, teve meses em que a gasolina subiu duas vezes”, pondera. Além dos combustíveis, o gás de botijão acumulou alta de 44,16% em 2021, e a energia elétrica residencial teve alta acumulada de 13,51%. Entre os alimentos, o mamão aumentou 90,2%, o açúcar cristal subiu 66,93%, o preço do café moído acumulou alta de 62,85%, o frango em pedaços aumentou 32,45% e os ovos, 12,42%, em Campo Grande. (Colaborou Rodrigo Almeida) Correio do Estado.

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