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Com chuvas, rastro de cinzas pode trazer mortandade de peixes, alerta comissão

Atualizado: Out 14


A Comissão Externa da Câmara Federal que acompanha as queimadas em biomas brasileiros (Cexquei) debateu o fenômeno da decoada, que pode matar milhares de animais, principalmente peixes.


Em reunião realizada na última semana, os parlamentares discutiram o tema, levantando preocupação com a volta das chuvas, pois isso levará um grande volume de cinzas para os rios, contribuindo com a morte de peixes e outros animais.


Se por um lado a água da chuva trará alívio ao solo e clima, por outro, trará preocupações pós-queimadas, já que indiretamente “contribuirá” com um fenômeno conhecido por dequada ou decoada – que é quando a massa orgânica que cobre o solo é levada pela chuva até os rios e entra em decomposição. No caso, as cinzas pegam carona com a chuva e acabam indo parar nos rios, lagoas (baias) ou córregos (corixos).


Reportagem publicada pelo Jornal Midiamax já havia alertado sobre a tragédia ‘extra’ que pode assolar o Pantanal.


A comissão debateu não somente meios para viabilizar o combate às queimadas, mas medidas preventivas. Foi sugerido que os ministérios do Meio Ambiente, da Defesa e da Justiça, com as secretarias dos dois estados [MT e MS], construam políticas públicas para enfrentar o problema.


Para evitar que haja novamente uma situação tão alarmantes como a que o bioma enfrenta este ano, os deputados levantaram alguns problemas como falta de equipamentos de combate a incêndios e número reduzido de brigadistas.


Atualmente, sabe-se que o Pantanal abriga mais de 300 espécies de peixes, variedade que pode estar em cheque por conta da degradação do bioma. Piraputanga, piau, pacu, pintado, lambari a até mesmo o famoso dourado, símbolo da biodiversidade aquática do Pantanal, são algumas das espécies que podem sentir os impactos da decoada.


É preciso de uma política preventiva para promover ações de manejo integrado do fogo, ou seja, investir em setores como o Prevfogo [Ibama], ao invés de se fazer cortes absurdos, visto que se antes haviam recursos em torno de R$ 35 milhões, hoje o que se vê é um corte que viabilizou apenas cerca de R$ 9 milhões para este ano, ou seja, um quarto do valor, comumente, destinado na prevenção de incêndios”, sugeriu o biólogo  José Sabino, doutor em Ecologia e professor da Uniderp – que também coordena o projeto “Natureza em Foco”.

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