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Atendimento de crianças com Covid-19 aumenta no Regional


Com o Estado prestes a iniciar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 na próxima semana, a procura por atendimento pediátrico por síndromes respiratórias agudas graves (SRAGs) tem crescido em Campo Grande.

O diretor-presidente do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), Livio Leite, relatou ao Correio do Estado que desde o dia 22 de dezembro houve um aumento considerável nas internações pediátricas por coronavírus.


Temos visto o aumento de síndromes respiratórias infantis. Que podem ser desde Covid-19, até vírus sincicial [Pneumovírus]”, disse. Para o médico, a variante Ômicron tem contribuído para a circulação da doença nesse público.

A reportagem percorreu diversas unidades de saúde da Capital, onde foi possível constatar um grande fluxo de crianças à espera por atendimento. A diarista Jaqueline Menezes, 36 anos, estava com a filha Júlia, de 7 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Almeida na tarde de ontem. A criança que se enquadra na próxima faixa etária a ser vacinada apresentava febre e muita tosse.

Agora, além do resultado para sabermos se é gripe ou Covid-19, esperamos pela vacina [contra o coronavírus]. A minha filha mais velha de 13 anos já recebeu a primeira dose”, relatou Menezes.


Infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda reiterou que a vacinação contra o coronavírus nas crianças é importante porque previne hospitalização e óbito. “Com a variante Ômicron em circulação, estamos notando o crescimento de internações e mortes, principalmente em pessoas não vacinadas, inclusive, na faixa etária pediátrica de 5 a 11 anos. Nós sabemos que o risco da Covid-19 em crianças é menor, mas ainda é um risco muito elevado”, pontuou.


Até a tarde de ontem, pelo menos cinco crianças com Covid-19 estavam internadas na enfermaria do HRMS. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que Mato Grosso do Sul registrou em 2021 6.969 internações por coronavírus nas crianças de 5 a 11 anos, 21% do total de hospitalizados no ano passado, 32.077.


Segundo a infectologista e presidente da Sociedade de Infectologia de Mato Grosso do Sul, Andyane Tetila, a cada 1 milhão de pessoas hospitalizadas por Covid-19 no País, 2.700 eram crianças. “É um número bastante relevante, pois crianças adoecem e evoluem para quadros com gravidade. Em número menor que adultos, mas ocorre. E, de cada 1 milhão de óbitos por Covid-19, 400 serão de crianças nesta faixa etária de 5 a 11 anos”, alertou.


Conforme Tetila, a estimativa publicada pela Fiocruz com os dados ofertados pelo sistema de vigilância do Ministério da Saúde é preocupante, pois cada óbito nesta faixa etária pode ser evitado com a aplicação da vacina contra o coronavírus. “A doença nas crianças é relevante, incluindo até o momento milhares de hospitalizações e centenas de mortes pela Covid-19 no grupo etário, além das já demonstradas consequências da infecção, como a Covid-19 longa, e a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica [SIM-P], todas elas de potencial gravidade”, salientou.


Croda ressaltou que em mais de 8,6 milhões de crianças vacinadas nos Estados Unidos, não foi registrada nenhuma morte pós-vacina. “Apenas 12 casos de miocardite e que já se recuperaram. Então, compensa, sim, a imunização nessa faixa etária específica de 5 a 11 anos”, disse.


Por volta de 18.300 doses pediátricas da Pfizer devem chegar ao Estado nesta sexta-feira, sendo 7.268 destinadas às crianças indígenas e 9.202 doses para os demais grupos prioritários de 5 a 11 anos.


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), MS possui 301.026 crianças de 5 a 11 anos aptas a se vacinarem contra a Covid-19.


Colaborou ACS.

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