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Apesar do alerta de geada, safra de milho 2021/2022 deve ser maior que a anterior


A segunda safra de 2022 pode apresentar um alívio para o produtor rural. Depois de sofrer com intempéries climáticas nas últimas duas produções, o agricultor de Mato Grosso do Sul espera melhores resultados na safrinha.


É o que dizem especialistas consultados pelo Correio do Estado e dados prévios de órgãos de controle e pesquisa. Conforme o último boletim rural do Sistema Famasul, a expectativa é de que o Estado tenha uma produção acima da última safra e com o diferencial de um clima mais favorável.


Projeção da Famasul aponta para 9,3 milhões de toneladas, já a Granos Corretora estabelece esse dado na casa dos 12,5 milhões de toneladas. Na safra 2020/2021, foram colhidas 6,2 milhões de toneladas do cereal.


Presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), André Dobashi diz que a qualidade das lavouras de milho da região sul está boa. “O milho foi bem plantado e nasceu em uma situação privilegiada, conseguiu aprofundar as raízes em fevereiro, e a situação é muito boa. Temos milho de qualidade muito boa nas lavouras de MS”.


O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Angelo Ximenes, concorda e diz que parte das perdas da última safrinha pode ser recuperada. “Estão todos animados, deve vir boa. É difícil falar [em recuperação dos prejuízos], mas dá uma aliviada grande”.


Em 2021, as geadas assolaram a região sul do Estado e causaram forte quebra na safrinha do milho. A produtividade daquele período esteve em 47,71 sacas por hectare. A Aprosoja-MS estima 78,13 sacas para este ano.


Ângelo Ximenes ainda comenta que, apesar do otimismo para este ano, os produtores sentem uma leve preocupação com as geadas. “A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] já soltou um alerta de geada para junho”.


No entanto, segundo ele, nada é tão assustador como no último ano. “A geada funciona assim, não tem geada que mata de primeira, as primeiras geadas são igual chuva, fazem um caminho, tem lugar que é afetado e tem lavoura que não. Costumeiramente, em maio e junho não tem geada. O clima não tem como prever muito, se vier para o fim de junho não haverá danos”, prevê.


Segundo o agrometeorologista da Embrapa, Danilton Flumignan, a possibilidade de geada no mês de junho é alta. Principalmente na região centro-sul do Estado.


Estamos monitorando desde janeiro, há uma possibilidade alta, de 75%, de gear. Principalmente em Dourados e no centro-sul. [Usando] como referência de Dourados para baixo [aumenta o risco de geada], de Campo Grande para cima diminui o risco”, explica.


Fazemos uma previsão antecipada no começo do ano e monitoramos as condições. A cada mês, atualizamos os dados para saber se há a necessidade de correção, se sim, mudamos a previsão. Neste caso, não tivemos que mudar ainda, e a previsão permanece”, finaliza o agrometeorologista.


Com o início do conflito da Rússia com a Ucrânia, o preço da saca de milho no mercado internacional chegou perto de R$ 100, atualmente, ela é negociada a R$ 88,99 no mercado futuro e a R$ 77 em Campo Grande, R$ 79 em Maracaju e Dourados, e a R$ 78,50 em São Gabriel do Oeste.


Corretor da Granos Corretora, Leon Davalo comenta que, neste ano, o cenário para o produtor nos próximos meses é de preocupação, por conta do preço da Commodity. “No Brasil, teremos uma supersafra, se não tivermos problemas com o clima, até por isso estamos cautelosos na divulgação de números e reavaliando. Estamos esperando os números de Mato Grosso, que deve começar a colheita no fim do mês, para o centro-sul é safra recorde, em MS há cautela”, comenta.


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também espera safra recorde no País. Segundo comunicado da empresa pública, o Brasil deve colher 112,34 milhões de toneladas, um incremento de 29% em relação a 2020/2021.


Leon ressalta que o preço da saca deve continuar pressionando no mercado físico, com as exportações se mostrando como a alternativa mais rentável.


Para os próximos meses, a tendência deve ser de baixa. O que segura o mercado atualmente é a exportação, que dá melhor liquidez. O saco de soja hoje é comercializado em MS pelo preço médio de 80 reais”.


Davalo comenta que até a colheita deve ser de bastante análise e estratégia, para vender pelo melhor preço.


Se a exportação continuar aquecida, o mercado interno tem de ajustar. Além disso, o produtor ainda não está vendendo. Com o câmbio firme, dando sinais de alta nos últimos dias, cenário de guerra e tendência de alta de preços em Chicago, olhamos os próximos meses com uma tendência de baixa”.


Com o aumento de 150% no valor dos insumos principais, sementes de milho e fertilizantes, em um ano, a dificuldade para o produtor é manter margens melhores para este ano.


A animação sentida também pela Aprosoja-MS vem acompanhada de certa cautela na hora de falar sobre produtividade.


Freamos em 75 e 78 sacas a média, por causa do custo de produção elevado. A estratégia de reduzir esse valor para esse produtor é economizar na tecnologia, nas sementes, explorar as reservas do solo e diminuir a adubação”.


Somado a isso, o custo do frete tem aumentado no Estado. De janeiro até março deste ano, foram 43,5% de incremento em certas regiões de Mato Grosso do Sul. A Granos Corretora estima que o custo do frete atualmente está entre R$ 3 e R$ 5 por saca.


Como os últimos dois ciclos foram bem penosos para o produtor, a entidade estima, no boletim rural, uma redução na área plantada de soja de 2,280 milhões de hectares para 1,992 milhão.


A estimativa oficial é colher 9,3 milhões de toneladas de milho; já a Granos Corretora projeta 12,5 milhões de toneladas para 2022.


Colaborou Rodrigo Almeida, Correio do Estado

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